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domingo, 12 de setembro de 2010

Obaluae /omolu

Obaluaê(Omulu)


Obaluaiê, Obaluaê, Abaluaiê (de Ọbalúayé, "rei dono da terra", em iorubá), Omolu (Ọmọlu, "filho do senhor", idem) e Xapanã (Ṣànpònná) são os nomes dados ao orixá da varíola e das doenças contagiosas, tanto para enviá-las quanto para curá-las. Ora são considerados nomes diferentes do mesmo orixá, ora se reconhece pelo menos dois: Obaluaiê, mais velho, sincretizado na Bahia com São Roque e Omolu, jovem, sincretizado com São Lázaro.

Seu culto, assim como o de Nanã Burucu, parece fazer parte de sistemas religiosos anteriores a Odudua. Não constam da lista dos companheiros de Odudua ao chegar em Ifé, mas algumas lendas de Ifá dizem que Obaluaiê já estava instalado em Òkè Itaṣe antes da chegada de Orunmilá, que pertence ao grupo. A antiguidade desses cultos é também sugerida por um detalhe dos sacrifícios que lhe são feitos, realizados sem o emprego de instrumentos de ferro, o que sugere que ambos fazem parte de uma cultura anterior à Idade do Ferro e à chegada de Ogum. Diz-se que é filho de Nanã Burucu e originário, como ela e Oxumaré, do país Mahi. No Brasil, os pejis (altares, assentamentos) dessas três divindades são reunidos numa mesma cabana, separada das dos outros orixás.

Segundo Frobenius, haveria dois Xapanãs: um de origem tapá, que ele chama de Ṣànpònná-Airo e o outro,que teria ido a Oyó, vindo do Daomé, que chama de Ṣànpònná-Boku, aproximando-o de Nanã Burucu. Existe muita confusão a respeito de Ṣànpònná, Ọbalúayé, Ọmọlu e Mọlu, que se misturam em alguns lugares e em outros são orixás distintos, e também com Nanã Burucu, igualmente confundida com eles. Segundo Pierre Verger, é possível tanto que se trate de:

* - ou um sincretismo entre duas divindades, uma do leste, Ṣànpònná-Ọbalúayé (Nàná-Buruku), e outra do oeste, Ọmọlu-Mọlu (Nàná-Brukung), que se juntaram e tomaram um caráter único em Kêto;
* - ou então, tratar-se-ia de uma divindade única, trazida por migrações leste-oeste, como as dos Ga, que foram de Benim para a região de Acra, durante o reino de Udagbede, no fim do século XII e levada depois para seu lugar de origem, com um novo nome que, no início, era apenas um epíteto.

Seus iaôs dançam inteiramente revestidos de palha da costa. A cabeça é coberta por um capuz da mesma palha, cujas franjas recobrem o rosto. Em conjunto, parecem pequenos montes de palha, em cuja parte inferior aparecem pernas cobertas por calças de renda e, na altura da cintura, mãos brandindo um xaxará, espécie de vassoura feita de nervuras de folhas de palmeira, decorada com búzios, contas e pequenas cabaças que se supõe conter remédios. Dançam curvados para a frente, como que atormentados por dores, e imitam o sofrimento, as coceiras e os tremores de febre. A orquestra toca para Obaluaiê um ritmo pesado, lento triste e quebrado por pausas, chamado opanijé, o que significa em iorubá "ele mata qualquer um e o come".

No Brasil como em Cuba (onde é chamado Babalú Ayé), considera-se perigoso pronunciar o nome de Xapanã, chamado Obaluaiê ou Omolu por prudência. É sincretizado com São Lázaro e São Roque na Bahia e em Cuba, e com São Sebastião no Recife e Rio de Janeiro. As pessoas que lhe são consagradas usam dois tipos de colares: o lagidiba, feito de pequenos discos negros enfiados, ou o colar de contas marrons com listas pretas. Quando o orixá se manifesta sobre um de seus iniciados, é acolhido pelo grito "Atotô!" ("respeito e submissão!"). A festa anual de oferendas chama-se "Olubajé" e em seu decorrer lhe são apresentados pratos de aberém (milho cozido enrolado em folhas de bananeira), carne de bode, galos e pipocas. As segundas-feiras lhe são consagradas. Nesse dia, o chão do adro da Igreja de São Lázaro, na Bahia, é coberto de pipocas que as pessoas passam no corpo para se preservar de doenças contagiosas. As proibições alimentres das pessoas dedicadas a Obaluaiê são, como na África, carne de carneiro, peixe de água doce de pele lisa, caranguejos, banana-prata, jacas, melões, abóboras e frutos de plantas trepadeiras.

O arquétipo de Obaluaiê, segundo Verger, é o das pessoas com tendências masoquistas, que gostam de exibir seus sofrimentos e as tristezas, das quais tiram uma satisfação íntima. Pessoas que são incapazes de se sentirem satisfeitas quando a vida lhes corre tranqüila. Podem atingir situações materiais invejáveis e rejeitar, um belo dia, todas essas vantagens por causa de certos escrúpulos imaginários. Pessoas que em certos casos sentem-se capazes de se consagrar ao bem-estar dos outros, fazendo completa abstração de seus próprios interesses e necessidades vitais.

Mitos de Obaluaiê/Omolu

* Por causa do feitiço usado por Nanã para engravidar, Omolu nasceu todo deformado. Desgostosa com o aspecto do filho, Nanã abandonou-o na beira da praia, para que o mar o levasse. Um grande caranguejo encontrou o bebê e atacou-o com as pinças, tirando pedaços da sua carne. Quando Omolu estava todo ferido e quase morrendo, Iemanjá saiu do mar e o encontrou. Penalizada, acomodou-o numa gruta e passou a cuidar dele, fazendo curativos com folhas de bananeira e alimentando-o com pipoca sem sal nem gordura até o bebê se recuperar. Então Iemanjá criou-o como se fosse seu filho.

* Omolu tinha o rosto muito deformado e a pele cheia de cicatrizes. Por isso, vivia sempre isolado, se escondendo de todos. Certo dia, houve uma festa de que todos os Orixás participavam, mas Ogum percebeu que o irmão não tinha vindo dançar. Quando lhe disseram que ele tinha vergonha de seu aspecto, Ogum foi ao mato, colheu palha e fez uma capa com que Omulú se cobriu da cabeça aos pés, tendo então coragem de se aproximar dos outros. Mas ainda não dançava, pois todos tinham nojo de tocá-lo. Apenas Iansã teve coragem; quando dançaram, a ventania levantou a palha e todos viram um rapaz bonito e sadio; e Oxum ficou morrendo de inveja da irmã, que Omolu recompensou dividindo com ela o poder de controlar eguns (espíritos dos mortos).

* Quando Obaluaiê ficou rapaz, resolveu correr mundo para ganhar a vida. Partiu vestido com simplicidade e começou a procurar trabalho, mas nada conseguiu. Logo começou a passar fome, mas nem uma esmola lhe deram. Saindo da cidade, embrenhou-se na mata, onde se alimentava de ervas e caça, tendo por companhia um cão e as serpentes da terra. Ficou muito doente. Por fim, quando achava que ia morrer, Olorum curou as feridas que cobriam seu corpo. Agradecido, ele se dedicou à tarefa de viajar pelas aldeias para curar os enfermos e vencer as epidemias que castigaram todos que lhe negaram auxílio e abrigo.

* Euá era uma exímia e bela caçadora. Sua beleza não só ofuscava os admiradores, como também cegava, devido ao veneno que ela lançava em quem ousasse lhe encarar ou lhe dar uma simples piscadela de olhos. Um dia ela encontrou Omolu e por ele se apaixonou perdidamente. Casaram-se, porém Omulu era extremamente ciumento e um dia, julgou estar sendo traído e prendeu Euá em um formigueiro, deixando-a entregue à própria sorte. As formigas fizeram um banquete com a carne da rainha da caça e da beleza, e quando Euá ameaçou dar o último suspiro, Omolu apareceu e a levou para casa. Euá ficou deformada pelas picadas das formigas e seu rosto ficou feio e disforme, tomado pelas cicatrizes. Omulu a cobriu de palha-da-costa, de coloração vermelha, para que ninguém visse sua feiúra nem o repreendesse pelo castigo dado à esposa por uma simples suspeita.


Obaluaiê, Obaluaê, Abaluaiê (from Obaluayê, "King owns the land," in Yoruba), Omolu (Omolu, "son of the lord", ditto) and Xapanã (Ṣànpònná) are the names given to the deity of smallpox and contagious diseases, so as to send them to heal them. It is considered different names of the same deity, sometimes it recognizes at least two: Obaluaiê, older, with syncretized Bahia San Roque and Omolu young syncretized with St. Lazarus.


His cult, like that of Nana Burucu, seems to be part of religious systems before Odudua. Not on the list of companions Odudua to arrive at Ife, but some legends say that Ifa Obaluaiê was already installed in Oke Itasa before the arrival of Orunmilá, which belongs to the group. The antiquity of these cults is also suggested by a detail of the sacrifices that are made, performed without the use of iron tools, which suggests that both are part of a culture before the Iron Age and the arrival of Ogun. It is said that the son of Nana Burucu and original, as she and Oxumaré, country Mahi. In Brazil, pejis (altars, settlements) of these three deities are brought together in the same cabin, separated from the other deities.


According to Frobenius, there would be two Xapanãs: plugging a home, which he calls Ṣànpònná-Airo and another that would have gone to Oyo, Dahomey's coming, he calls Ṣànpònná-Boku, approaching him from Nana Burucu. There is much confusion about Ṣànpònná, Obaluayê, and Omolu molua, interwoven in some places and in others they are distinct deities, and also with Nana Burucu also confused with them. According to Pierre Verger, is available both in the case of:


* - Or a syncretism between two deities, one of the east-Ṣànpònná Obaluayê (Nana-Buruku), and another from the west-Omolu molua (Nana-Brukung), who joined and took a unique character in Ketu;

* - Or you would treat a single divinity, brought by migration from east to west, like those of Ga, which were of Benin for the region of Accra, during the reign of Udagbede at the end of the twelfth century and taken then to their place of origin, with a new name that at first it was just an epithet.


His dance Yao entirely coated with raffia. The head is covered with a hood in the same straw, whose fringes lining the face. Together they look like small piles of straw, in which the bottom, legs covered by trousers income and, at waist height, hands swinging a xaxará, a sort of broom made of ribs of palm leaves, decorated with shells, beads and small gourds believed to contain drugs. Dance bent forward, as if tormented by pain, and imitate the suffering, the itch and shivering with fever. The orchestra plays for Obaluaiê a heavy rhythm, slow, sad and broken by pauses, called opanijé, which means in Yoruba "He kills anyone and eat."


In Brazil and Cuba (where it is called Babalu Aye), it is dangerous to pronounce the name of Xapanã called Obaluaiê Omolu or by prudence. It syncretized with St. Lazarus and St. Roch in Bahia and Cuba, and San Sebastian in Recife and Rio de Janeiro. People who use it are given two types of collars: the lagidiba, made of small black disks threaded, or beads with brown stripes. When the deity is manifested on one of its insiders, is hosted by the cry "Ato! ("Respect and submission!"). The annual feast of offerings called "Olubajé" and are presented to you during your dishes aber (boiled corn wrapped in banana leaves), goat meat, fowl and popcorn. Mondays are devoted to him. That day, the floor of the atrium of St. Lazarus, in Bahia, is covered in popcorn that people go to preserve the body from diseases. Bans alimentres of people dedicated to Obaluaiê are, as in Africa, mutton, fresh water fish skin smooth, crabs, silver banana, jackfruit, melons, pumpkins and fruits of vines.


The archetype of Obaluaiê, according to Verger is the people with masochistic tendencies, who like to display their sufferings and sorrows, of which take an inner contentment. People who are unable to feel satisfied when their life runs smoothly. Can achieve enviable positions and reject material, one day, all these benefits because of certain scruples imaginary. People who in some cases they feel able to devote to the welfare of others, making complete abstraction of their own interests and needs.


Myths Obaluaiê / Omolu


* Because of the spell used by Nana to become pregnant, Omolu all born deformed. Disgusted with the appearance of son, Nana abandoned him on the beach, that the sea would take him. A large crab found the baby and attacked him with tweezers, taking pieces of his flesh. When Omolu was all wounded and almost dying, Iemanjá left the sea and found it. Penalized, settled into a cave and started to take it, making dressings with banana leaves and feeding him popcorn without salt or fat to the baby recover. So Iemanjá created him as his son.


* Omolu his face was badly deformed and scarred skin. So she was always alone, hiding from everyone. One day there was a party that participated in all the Orishas, Ogun but realized that his brother had not come to dance. When told that he was ashamed of its appearance, Ogun went into the woods, harvested straw and made a cover with that Omulu covered herself from head to toe, then having the courage to approach others. But I have not danced because everyone was sick of playing it. Iansã only had the courage, when danced, the wind lifted the straw and all saw a handsome, healthy, and Oshun was dying of jealousy of her sister, who rewarded Omolu sharing with it the power to control eguns (spirits of the dead).


* When was Obaluaiê boy, decided to travel the world for a living. Went dress with simplicity and began looking for work, but found nothing. Soon began to starve, but neither gave alms. Leaving the city, plunged into the woods, where they fed on herbs and game, taking a dog for companionship and serpents of the earth. Became very ill. Finally, when I thought I would die, Olorum healed the wounds that covered his body. Gratefully, he devoted himself to the task of traveling through the villages to heal the sick and overcoming the epidemics that ravaged all he was denied aid and shelter.


* USA was an accomplished and beautiful huntress. Its beauty not only dazzled the fans but also blinded due to the poison that she threw at anyone who dared to face you or give you a simple wink of an eye. One day she found Omolu and he fell madly in love. They married, but Omulu was extremely jealous and one day, he thought being betrayed and arrested the U.S. in a nest, leaving it delivered to their fate. The ants have a feast with the meat of premier hunting and beauty, and when the U.S. threatened to give his last breath, Omolu appeared and took him home. USA was deformed by stinging ants and his face was ugly and misshapen, taken by the scars. Omulu covered it with straw-da-costa, red, for anyone to see its ugliness nor admonished by the punishment given to the wife of a mere suspicion

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